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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Alatiglossum barbatum (Lindl.) Baptista

Mesmo com a seca severa a serra de Aratanha promove um espetáculo sem igual. Na minha última ida aquele lugar mágico fotografei um belo exemplar da orquidoflora cearense


 Alatiglossum barbatum (Lindl.) Baptista  







domingo, 6 de julho de 2014

Habenaria

Willdenow, que publicou o gênero Habenaria


Depois de seus estudos em Farmácia, Carl Ludwing Willdenow, prosseguiu seus estudos em Medicina e Botânica na Universidade de Halle, obtendo o titulo de doutor em medicina. Trabalhou como farmacêutico e professor de História Natural no "Collegium medico-chirurgicum". Sendo nomeado em 1801, como membro da acadêmia de Ciências e professor de Botânica  na nova Universidade de Berlim. Trabalhou com plantas coletadas  por Alexander Von Humboldt quando da sua viagem pela América do Sul. E foi Willdenow que publicou o gênero de Orchidaceae Habenaria, em Species Plantarum Editio quarta 4(1):5,44, em 1805, tendo seu lectótipo sido selecionado posteriormente por Kraenzlin como Habenaria macroceratistis Willd. em Bot. Jahrb. Syst. 16:58, em 1892.


 Habenaria macroceratistis Willd. Photo by © Prem Subrahmanyam


O nome do Gênero vem do latim habena, rédea, uma referência ao fato das pétalas de suas flores apresentarem longas divisões que se parecem com rédeas.

Distribuição

O gênero possui cerca de 650 espécies distribuídas por toda área equatorial  e tropical de todos os continentes, do nível do mar até três mil metros de altitude. Habenaria Will. com 153 a 163 espécies (Barros et all. 2010; Batista et all. 2011a), é o maior gênero em número de espécies para a família Orchidaceae no Brasil. Sendo Minas Gerais ( Com 93 espécies) (Batista et all. 2011.) o estado com  maior representatividade. Destacando o Cerrado como principal centro de atividade, incluindo Campos Rupestres do Planalto Central e região sudeste.

No Ceará, segundo o "Flora do Brasil" (Projeto do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que engloba um esforço de várias instituições de pesquisas e renomados especialistas), só ocorrem três espécies:

  • Habenaria gracillis Lindl.
  • Habenaria hexaptera Lindl.
  • Habenaria trifida Kunth
Porém o site da ACEO - (Associação cearense de orquidofilos), que tem como diretor técnico o maior especialista e coletor de orquídeas do Ceará, pesquisador da Universidade Federal do Ceará, Luiz Wilson Lima-Verde, lista mais uma espécie:

  • Habenaria urbaniana Cogn. 

Habenaria cf. petalodes - Foto de Douglas Soares

Algumas características do gênero

Dentro de um Gênero tão vasto, as diferenças morfológicas e e hábitos variam na mesma intensidade. Porém, de modo geral as espécies brasileirassão terrestres, de terrenos mais ou menos úmidos, ou então humícolas nas matas sombrias; em áreas ensolaradas, sobre as pedreiras ou campinas. 

Em vez de pseudobulbos, apresentam túberes subterrâneos que crescem depois da floração tornando-se responsáveis pela sobrevivência das plantas, cuja parte visível perece depois da floração. O caule e folhas podem ser de tamanhos muito variáveis, desde alguns centímetros, até mais de dois metros de altura. A inflorescência é apical e apresenta de uma a muitas flores, normalmente verdes ou brancas, mas podendo também serem de outras cores, notadamente amarelas. O labelo em regra é prolongado em longo calcar, raramente sem.
A principal característica desse gênero, com raríssimas exceções, está nas pétalas de suas flores, freqüentemente bipartidas até perto da base, às vezes trilobadas.



Habenaria johannesis 

Histórico


O gênero Habenaria, bem como a extinta subtribo Habenarinae foram muito pouco estudados até hoje. Aparentemente Habenaria será subdividida em diversos gêneros. Análises recentes de DNA ainda tem dificuldades em determinar exatamente dos limites de muitos gêneros subordinados às subtribos Orchidinae e Habenarinae, assim sendo, a antiga subtribo Habenarinae foi momentaneamente abandonada, subordinando provisóriamente todos estes gêneros à Orchidinae, até que se possa dividi-los com segurança.
Desde 1982 o polonês Szlachetko, especialista em orquídeas terrestres, tem estudado este gênero e propôs muitos novos gêneros para sua divisão, entretanto ainda não há consenso como esta será feita, assim, da mesma forma, por enquanto estamos tratando como sinônimos muitos dos novos gêneros já criados para subdividir Habenaria.

A diminuição do número total de espécies também é prevista uma vez que inúmeras são as espécies mal esclarecidas que possívelmente devem tornar-se sinônimos no futuro.


Habenaria medusa Kraenzl.

HABITATS

Cerrado – O Cerrado é o Bioma que apresenta o maior número de espécies de Habenaria no país. O Cerrado é formado por um mosaico de vegetações que variam desde o cerradão até o campo limpo. Os ambientes mais abertos, como os campos sujos e os campos limpos são os que concentram o maior número de espécies. 
  • Veredas e campos úmidos – Dentre os vários tipos de vegetação associados ao Bioma Cerrado os campos úmidos são o que concentram o maior número de espécies de Habenaria. Esses campos podem ser estacional ou permanentemente úmidos. Frequentemente ocorrem associados a pequenas elevação regulares conhecidas como murundus.
  • Campos rupestres – Ocorrem principalmente em Minas Gerais na Cadeia do Espinhaço e em Goiás. A vegetação é semelhante a um campo sujo, mas ocorre em meio a afloramentos rochosos. O número de espécies de Habenaria que ocorre nesse tipo de vegetação é grande, destacando-se a Habenaria guilleminiicom um calcar de 1-3 mm e a Habenaria caldensis.
  • Mata Atlântica – São poucas as espécies de Habenaria que ocorrem em matas e na Mata Atlântica. A maioria das espécies tem as folhas bem desenvolvidas. Uma espécie típica e comum desse ambiente é a H. josephensis.
  • Matas Nebulares – são matas que ocorrem em altitudes mais elevadas nas montanhas e que embora não estejam associadas a um curso de água se mantém úmidas devido a quantidade de neblina. São poucas as espécies de Habenaria desse tipo de vegetação, destacando-se a H. umbraticola.
  • Campos de Altitude – São campos limpos ou sujos que ocorrem em áreas acima de 1.500 m em áreas de Mata Atlântica. Uma espécie típica desse ambiente é a Habenaria paranaensis, comum na região do Itatiaia a na Serra dos Órgãos no estado do Rio de Janeiro.
  • Além dos habitats anteriores algumas espécies também ocorrem em matas secas como a H. cryptophila, enquanto outras são aquáticas sendo encontradas na beira de lagoas ou rios, como a H. repens. Algumas poucas espécies são beneficiadas pela ação humana, ocorrendo em áreas antropizadas como pastagens e beira de estradas, destacando-se nesse caso a H. petalodes.

Habenaria rhodocheila



ECOLOGIA E BIOLOGIA REPRODUTIVA 


As espécies de Habenaria não possuem órgãos de armazenamento bem desenvolvidos como pseudobulbos ou raízes tuberosas, de modo que conseguem crescer e florescer apenas no período chuvoso quando há disponibilidade de água. As plantas precisam crescer durante uma ou mais estação para formar um túbera com nutrientes armazenadas que irão sustentar uma nova floração. Após a formação e amadurecimento dos frutos as plantas secam e permanece apenas a túbera subterrânea que sustentará uma nova brotação e crescimento na próxima estação.

Considerando o número de espécies, ainda são poucos os estudos sobre a biologia floral e reprodutiva do gênero. No Brasil destacam-se os trabalhos de Rodrigo B. Singer. Os estudos desse pesquisador mostraram que algumas espécies são polinizadas por ‘pernilongos’ e mariposas noturnas. Esses insetos, atraídos pelo perfume noturno das flores, introduzem a probóscide no calcar para coletar o néctar. No caso da H. parviflora, o viscídio tem uma forma especial com um encaixe que se adapta a probóscide do polinizador, facilitando a fixação e remoção do polinário.


Habenaria longicorniculata


Discussão

Mesmo com a importância florística desse gênero no Brasil, há grandes lacunas de conhecimento. Um dos fatores que dificultam o estudo é o fato das espécies apresentarem crescimento sazonal. As plantas crescem e florescem no período de chuvas e desaparecem durante o período seco. Permanecendo somente a túbera, subterrânea. O que dificulta muito determinar a distribuição e levantamento de espécies.






Fontes:
<http://floradobrasil.jbrj.gov.br/>. Acesso em: 06 Jul. 2014
<www.orquifofilos.com>

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Oeceoclades maculata - Joia terrestre

Oeceoclades maculata - Planta fotografa no Parque Ecológico do Rio Cocó.


Œceoclades é um género botânico pertencente à família das orquídeas (Orchidaceae).Foi proposto por John Lindley, publicado em Edwards's Botanical Register 18: sub pl. 1522, em 1832. É tipificado pela Œceoclades maculata (Lindley) Lindley, anteriormente conhecida como Angræcum maculatum Lindley, o lectótipo foi desigando por Lindley em J. Proc. Linn. Soc., Bot. 3: 36, em 1859.


Oeceoclades maculata com frutos

Etimologia 

O nome deste gênero é uma palavra híbrida do grego: οικειος (oikeios), que significa “de casa”, e do latim: clades, que significa “destruição” (este, por sua vez, tem origem no verbo grego κλάω: quebrar), numa referência à mudança de gênero pela qual a planta passava.

O gênero possui cerca de 31 espécies distruibuidas pelas Américas, Florida, Africa Tropical, Ilha de Madagascar, Mascarene e Seyshelles. São plantas terrestres, raramente epífitas.


Oeceoclades maculata  

Oeceoclades maculata é a única espécie que ocorre no Brasil. Suas flores são rosadas, labelo brancos com duas faixas laterais na cor vermelho. sua inflorescência pode atingir até 40cm, emergindo da base do pseudobulbo. Floresce geralmente no outono. Aqui no Ceará floresce entre janeiro e maio. Ocorrendo frequentemente a autogamia (autopolinização), o que facilita sua dispersão. A sua origem é um mistério, Madagascar é apontada como sua possível origem. É a orquídea de maior área de dispersão. Segundo Delfina de Araújo, existe a variedade alba, sendo esta foi encontrada pelo orquidófilo Nelson Luis Bittencourt, em Niterói - RJ.

Oeceoclades maculata
Como cultivar

Aprecia boa luminosidade indireta, e substrato úmido mas não ensopado, podendo ser plantada direto do chão do jardim em local sombreado, ou em qualquer tipo de vaso médio de cerâmica ou plástico, com base de pedriscos, brita ou cacos de telha para drenagem. O substrato deve ser composto de terra vegetal, areia grossa e esterco orgânico curtido. Na natureza observei que vegeta naturalmente em matas sombreadas que permitem boa luminosidade indireta e solo rico em matéria orgânica como folhas ou pau podre.





Fontes:
http://www.delfinadearaujo.com/on/on24/pages/del01.htm
http://orquideasfloresperfeitas.blogspot.com.br/2011/12/oeceoclades-maculata.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Oeceoclades

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Epidendrum ciliare




Epidendrum ciliare - Fotografado durante o 7º FestOrquídeas - Ceará


Epidendrum ciliare é uma orquídea do gênero Epidedrum, gênero este que foi nomeado por Carolus Linnaeus em 1763 e incluía todas as orquídeas epífitas até então conhecidas. A maioria dessas orquídeas foram incluídas em outros gêneros. Esse gênero pelo por abrigar mais de 1.100 espécies é chamado de mega-gênero.

Ilustração de um Epidendrum ciliare
Epidendrum ciliare é uma orquídea epífita, que ocasionalmente vegeta também sobre rochas, ocorrendo assim litófita. Rizomatosa, com pseudobulbos longitudinalmente sulcados. Aqui na Brasil, segundo o levantamento do Jardim botânico - RJ (Jardim Botânico do RJ - Epidendrum ciliare) , ocorre no norte (Amazonas, Pará e Amapá) e no nordeste (Maranhão e Ceará), o site da ACO (Associação Cearense de Orquidófilos), lista a espécie em seu catálogo como uma das espécie nativas do Ceará. No Ceará há muitos ocorrências da espécie desde áreas de Restingas, bem como nas regiões serranas, que abrigam os brejos de altitude, resquícios de Mata Atlântica. 
Epidendrum ciliare vegetando sobre uma rocha. Pacatuba, Ceará - Brasil.

Etimologia

O nome deste gênero (Epi.) deriva da latinização de duas palavras gregas: επί (epi), que significa "sobre", "em cima de"; e δένδρον (dendron), que significa "árvore"; referindo-se à maneira como vivem as espécies deste gênero, ou seja a sua natureza epífita. "ciliare" epiteto latino, quer dizer com cílios ou franjas.
Colônia de Epidendrum ciliare vegetando sobre rochas.

Sinônimos 
  • Auliza ciliaris (L.) Salisb.
  • Auliza ciliaris (L.) Lindl. ex Stein
  • Coilostylis ciliaris (L.) Withner & PAHarding
  • Coilostylis cuspidata (Lodd.) Withner & PAHarding
  • Coilostylis emarginata Raf.
  • Encyclia ciliaris (L.) A.Lemée
  • Epidendrum ciliare var. speciosa (Lodd.) Lindl.
  • Epidendrum ciliare var. Hort menor. ex Stein
  • Epidendrum ciliare var. squamatum Schnee
  • Epidendrum ciliare var. viscidum (Lindl.) Lindl.
  • Epidendrum Lodd speciosa.
  • Epidendrum speciosa var. brachysepalum Rchb. f.
  • Epidendrum lúteo Planch.
  • Epidendrum megalemmum Carnevali & GARomero
  • Epidendrum viscidum Lindl.
  • Phaedrosanthus ciliaris (L.) Kuntze

Fotografando um Epidendrum ciliare sobre a rocha, junto com outras espécies como Bromélias e Cactáceas.

Referências

L. Watson and M. J. Dallwitz, The Families of Flowering Plants, Orchidaceae Juss.

Barros, F. de; Vinhos, F.; Rodrigues, V.T.; Barberena, F.F.V.A.; Fraga, C.N.; Pessoa, E.M.; Forster, W.; Menini Neto, L.Orchidaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB20047>. Acesso em: 03 Fev. 2014

<http://pt.wikipedia.org/wiki/Epidendrum> acessado em 03/02/2014.

domingo, 10 de novembro de 2013

Vanilla parvifolia Barb. Rodr.

Vanilla parvifolia foi catalogada por João Barbosa Rodrigues botânico brasileiro em 1881. É uma espécie de orquídea de hábito escandente e crescimento reptante que existe do Paraguai à Serra do Mar na região do sul do Brasil. São plantas clorofiladas  de raízes aéreas; sementes crustosas, sem asas; e inflorescência de flores pálidas que nascem em sucessão, de racemos laterais.

© por Friedrich Reinhardt-Verlag, Basel, Suíça


Esta espécie pode ser reconhecida entre as Vanilla por apresentar caules comparativamente delgados, labelo claramente trilobado mais ou menos redondo, com lobo central acuminado e disco com nove lamelas estreitas, a central destacada; folhas levemente membranáceas e reticuladas, ovaladas; e flores normalmente solitárias nas axilas das folhas, ocasionalmente terminais, comparativamente menores que as de algumas espécies, porém bem abertas e de segmentos largos; ovário mais ou menos roliço; e por seu hábito terrestre porém subindo nas árvores apoiada por suas raízes aéreas.










sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Oncidium

Oncidium é um gênero de orquídeas largamente distribuídas do México ao sul da América do Sul. Chuva-de-ouro é um dos nomes popularmente utilizados no Brasil para designar um grande grupo de espécies de orquídeas, outrora pertencentes ao gênero e diversos outros gêneros de flores semelhantes. A principal característica deste gênero é a presença de um calo situado na base do labelo da flor.


As flores dos Oncidium, no entanto, podem ser amarelas, marrons, verdes, alaranjadas, brancas, róseas e não raramente tigradas. Outra característica presente em grande parte das espécies é que as pétalas e sépalas são bastante pequenas em relação ao labelo. Na maioria epífitas, seus pseudobulbos em grande parte das espécies são ovalados e achatados. Muito utilizados como flor-de-corte.


A família das orquídeas é muito extensa e dividida em mais de mil gêneros. Desde a criação do gênero Oncidium, por Swart. em 1800, o conceito do que seria um Oncidium mudou inúmeras vezes. Conforme os anos passaram e mais se estudaram as orquídeas, o gênero expandiu-se ou diminuiu em diversas ocasiões, sendo mais ou menos espécies atribuídas a ele. Gêneros bem conhecidos e estabelecidos no presente já foram considerados Oncidium no passado, por exemplo as Miltonia eram inicalmente consideradas por Reichebach espécies de Oncidium.


O gênero Oncidium por ser grande e muito variável, era a escolha perfeita para botânicos incluírem espécies recém descobertas sobre as quais não estavam muito seguros da classificação. Assim foi com diversos outros grandes e antigos gêneros de orquídeas, sendo outros exemplos de gêneros bem conhecidos,grandes e mal definido ,Maxillaria, Plerouthallis, Masdellia, Bulbophyllon e Dendrobium. Todos estes inflaram até conterem mais de mil espécies, alguns mais de duas mil, subdivididos em dezenas de subgêneros e alliances (nome escolhido por autores que informalmente agrupam espécies em conjuntos sem que descrevam esses grupos segundos as normas botânicas de publicação) muitas vezes também mal definidos.

Inicialmente os botânicos trabalhavam apenas com a observação das plantas e flores, tentando separar grandes conjuntos de plantas da mesma família, e agrupar em conjuntos menores, plantas com características semelhantes. Ao longo dos anos mudou a importância atribuída a cada uma das caraterísticas das plantas entre os critérios de classificação. Passaram a observar os detalhes das estruturas reprodutivas, então as características do pólen, a quantidade de cromossomos, de modo a, progressivamente, conhecer melhor as plantas e também ter ferramentas mais úteis para separá-las. A partir da década de 1960, passaram e examinar a bioquímica das plantas e suas proteínas. Naturalmente todas estas camadas de conhecimento sucessivamente adicionadas a este grupo de plantas foi responsável por incontáveis alterações na classificação de suas espécies. A grande variabilidade das espécies de Oncidium permitiu que 1378 espécies fossem classificadas neste gênero em algum momento da história.

Desde meados dos anos 1990, os bioquímicos passaram a estudar mais os genes das orquídeas tentando agrupá-las conforme apresentassem pequenas diferenças genéticas, diferenças que progressivamente aumentaram conforme sofreram mutações em seu processo evolutivo (apesar da teoria ser conhecida desde a década de 1960, somente após 1990, com o barateamento e difusão do processo passaram a realizar análises em grande escala). À classificação baseada neste sistema dá-se o nome de Filogenia.
Desde o começo da década de 2000, os ffilogenistas têm-se debruçado sobre os Oncidium. O resultado vem expresso em diversas publicações, desde 2001, nas quais são apresentadas profundas mudanças sobre os limites deste gênero. Há consenso na comunidade científica de que todas estas plantas devem ser separadas de Oncidium e classificadas em outros gêneros, porém ainda não há consenso quanto a maneira de dividir os novos gêneros. Há duas propostas em debate, uma apresentada pelo grupo da Universidade da Florida que liderou as pesquisas, proposta aceita pelo Royal botanic garden. Em oposição à esta, há propostas dos taxonomistas, universidades e jardins botânicos de alguns países de onde estas plantas provém (por exemplo jardins botânicos de São Paulo e Rio ) e também da Europa, que preferem separar os gêneros em grupos menores e com mais afinidade morfológica e não somente conforme as características genéticas das plantas, impossíveis serem percebidas facilmente, ou seja, dividir em grupos maiores como pretendem os filogenistas agruparia plantas de morfologia muito diversas em um mesmo gênero tornando difícil a classificação e delimitação de um gênero.



Independentemente do nome que seja preferido por qualquer dos dois grupos, sabe-se hoje que menos da metade das espécies de Oncidium aceitas ali permanecem classificadas, tendo-se que optar por uma ou outra das propostas apresentadas para todas as espécies restantes. No Brasil, segundo a classificação anterior, havia mais de 100 espécies de Oncidium. Hoje menos de uma dezena de espécies brasileiras ainda pode ser classificada neste gênero, que ficou restrito quase que apenas a espécies andinas, do norte da Amazônia e da América Central.
Segundo a proposta do grupo de pesquisadores da Flórida, as espécies do Brasil seriam em grande parte classificadas nos gêneros Psychopsis, Gomesa, Trichocentrum e Grandiphyllum. Os Jardins Botânicos de São Paulo e Rio dividem estes três gêneros em mais de uma dezena.

sábado, 26 de outubro de 2013

Laelia purpurata - "A princesa do sul"

Cattleya Purpurata, porpulamente conhecida como Laelia Purpurata, é uma orquídea endêmica do sul e sudeste do Brasil, típica de Mata Atlântica. É a flor símbolo do Estado de Santa Catarina. Sabe-se que em torno de 1846, o francês François  Devos, coletou alguns espécimes da ilha de Santa Catarina ( hoje Florianópolis ). Espalhando-se rapidamente por coleções na Europa.
Laelia Purpurata
As purpuratas apreciam uma umidade relativa do ar elevada, sendo entre as Laelias, uma das mais exigentes neste quesito. Outro fator importante no cultivo diz respeito às estações. A inexistência de frio, como acontece nos estados do Norte e Nordeste, comprometem muito as floradas. As plantas podem até vegetar bem, mas as floradas, quando ocorrem, apresentam poucas flores e de tamanho reduzido.

Toleram grande variação de temperatura em seus habitats, mas o ideal é cultivá-las em locais onde a temperatura varia de 15 a 32 graus centígrados, com intensa luminosidade, sem sol direto, como no cultivo das Cattleyas em geral.

Laelia Purpurata no Habitat, orquídea de hábito epífita

A planta tem em torno de 20 a 40 cm de altura, folhas grandes e pseudobulbo desenvolvido. É do tipo simpodial, com rizomas  que "caminham". As flores são grandes 6,5 x 6,5 cm até 13 x 13 cm, pétalas delicadas em branco com variações de rosa  e o labelo com mácula cor púrpura.




Seu cultivo pode ser em ripado com cobertura de sombrite com sombreamento de 40%. As regas devem ser regulares o ano todo diminuindo no inverno. O substrato pode ser o mesmo para qualquer espécie epífita, casca de coco, casca de pinus, substratos de drenagem rápida. Elas gostam de vasos bem rasos. Evitar transplantes e cortes de mudas. Gostam de clima mais frio.

Observa-se o crescimento simpodial da planta.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Cattleya Labiata | Rainha do Nordeste Brasileiro

Cattleya Labiata, é sem dúvidas a espécie mais importante para a orquidofilia mundial. Desde que foi catalogada por John Lindley em 1821, causou sensação na Europa e estimulou a busca por mais espécies exóticas nos trópicos. Conhecida tanto pela beleza de suas flores, bem como por seu perfume singular.


Espécie endêmica do Brasil que ocorre nos brejos nordestinos na caatinga e na Mata Atlântica  nordestina (Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Sergipe) e na região sudeste (Espírito Santo e Rio de Janeiro), embora não haja unanimidade quanto esta ocorrência da espécie no sudeste, pois segundo MENEZES, 2002 as plantas na verdade seriam Cattleya warneri T. Moore. Planta epífita monofoliar com formato oblongo-elíptica. 




A flor é comumente róseo-lilás ou róseo-avermelhada, mas encontramos também as variedades amesiana, amoena, atro-purpurea, caerulea, caerulescens, concolor, purpúreo-lineata, semi-alba, alba, rubra, purpúreo-striata, rosada, venosa, labelloide e pelórica. São variações de pétalas e sépalas bem como de labelo.


Cattleya Labiata florescendo sobre um Ipê-Amarelo

O cultivo dessa espécie necessita luminosidade em torno de 50% e o substrato mais comumente utilizado é a casca de Pinus. Mas também pode ser cultivada  em tronco de sábia (Mimosa caesalpiniifolia Benth.), argila expandida, casca de coco. O importante é ter boa drenagem.


Infelizmente esta presente na lista das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção de 2008 do Ministério do Meio Ambiente. Sofre principalmente com a coleta e degradação do seu habitat.